Saturday, October 13, 2012

O que Trazer? O Eterno Dilema


Roupa é sempre um dilema quando se está imigrando. O Brasil é um país com um inverno ameno, e provavelemente os casacos de inverno que estamos acostumados a usar lá servirão apenas para o início da primavera em terras geladas. Mas não é sobre isto que quero falar, e sim sobre os tecidos que você deve dar prioridade na hora de comprar roupa no Brasil ou na hora de fazer as malas.

Logo de cara, evite algodão. As peças de algodão vão, obrigatoriamente, encolher na secadora. Eu perdi quase todas as minhas meias e a muitas blusinhas, casaquinhos, e camisetas.
O mesmo serve para lã, a não ser que você SEMPRE se lembre de não colocar na máquina se secar roupa. Eu não lembrei, e perdi um casaco lindo comprado aqui e um terninho que havia trazido do Brasil.

O que fazer então? Opte por tecidos sintéticos ou que não sejam feitos principalmente de algodão. A roupa pode até conter um pouco algodão e talvez até encolha um pouco, mas não de forma que a torne inutilizável.

Eu costumo ter problemas com calças aqui, e pela quantidade de gente que vejo com calças curtas, não sou a única. Lave e seque na secadora sua calça nova antes de mandar fazer a barra (inclusive as jeans), e faça de forma que você possa desfazer a barra futuramente, quando a calça encolher.

Tuesday, October 9, 2012

What are you thankful for?

Post sem acentuacao*
Com o feriado de Thanksgiving aqui no Canada e muita gente agradecendo pelas coisas que consistou, eh impossivel nao parar para refletir um pouco no quanto nossa vida mudou desde que imigramos.
Eu sempre fui uma pessoa muito pratica, e como muitos mortais, trabalho porque preciso e nao porque gosto. Desta forma, procuro fazer o melhor possivel dentro do prazo para o qual sou paga, o que me causava alguns problemas no Brasil. Apesar de ser contratada para trabalhar das 8 da manha as 5 da tarde, sair as 5 em ponto nao era bom para minha carreira. Os chefes (e ate alguns colegas) viam isso como falta de motivacao, portanto, “promocao” era uma palavra fora do meu vocabulario, mas eu nunca me importei porque nunca fui de entrar em politicagem de empresa.
Aqui no Canada eh diferente. Ja passei por 3 empresas diferentes, e toda vez que fico ate mais tarde, alguem passa e me pergunta se tem algo errado. As 5h30 da tarde nao tem mais ninguem no escritorio. Felizmente, meu chefe eh bem flexivel, e se eu precisar sair mais cedo ele nao se importa. Sou grata por isso.
Trabalho, violencia, e transito – nesta ordem – eram meus principais motivos de stress no Brasil. Hoje, sou grata por nao precisar lidar com nenhum deles. Stress no trabalho sempre existe, mas eh um stress saudavel. Violencia? Sim, ela tambem existe, mas em uma escala tao menor que chega a ser ridiculo, assim como o transito; mas eu uso tranasporte publico para ir trabalhar, e isso eh assunto para um outro post.
Outro dia, li uma reportagem que saiu aqui sobre o transito em Sao Paulo: 180 km de congestionamento todos os dias e pessoas levando ate 2 horas para chegar em casa ou no trabalho. Fora o medo de ser assaltado no transito parado. Pobres paulistas, refens duas vezes.
Eu disse BASTA a tudo isso e hoje nao existe dinheiro nenhum no mundo que me faca voltar, pois dinheiro nao vai me tirar do transito e nem me dar seguranca. Hoje eu tenho isso de graca, e de bonus eu ganho qualidade de vida. Esta sim nao tem preco. E voce? Como sua vida mudou desde a imigracao?

Sunday, July 22, 2012

Cultural Access Pass

Ao receber a cidadania, o imigrante recebe também o Cultural Access Pass, que lhe dá direito a mais de 1000 atrações gratuitas em todo o Canadá. É uma forma que o governo encontrou de incentivar as pessoas a conhecerem o país que adotaram.
Nós já usamos o nosso para conhecer a Casa Loma e revisitar a Art Gallery of Ontario (AGO), em Toronto, mas estão incluídos no pacote: ROM, Ontario Science Centre, Black Creek Pionner Village, entre outros.

A entrada gratuita em museus e outros não é apenas para as cidades grandes, Existem atrações em Niagara Falls e Niagara on the Lake, Waterloo, Whitby, e muitas outras.

Para adquirir o Cultural Pass, basta ir ao website, preencher os dados, e anotar um número. Com esse número e dois documentos de identidade, dirija-se a um dos locais de coleta, pegue seu Cultural Pass e divirta-se de graça!

Thursday, July 5, 2012

Capachinho e Piaçava na Zoropa

Em maio, Capachinho e eu realizamos um sonho (meu): fizemos uma viagem a Paris e Barcelona. Desde os meus 15 anos eu sonhava em conhecer Paris e somente agora, na segunda metade dos meus 30, foi que consegui conciliar tudo e tomar uma attitude concreta. Passamos uma semana em cada cidade. Pode até parecer muito, mas foi pouco diante de tantas coisas que acabamos descobrindo por lá.

Em Paris fizemos bastante turismo: conhecemos muitos museus: Louvre, Orsay, Orangerie, Des Egouts, Cluny (museu medieval), fomos ao Arco do Triunfo e Torre Eiffel, passeamos na Champs Elises e as bordas do Sena, cruzamos a Point Neuf, e comemos muito croque monsieur. Paris é uma cidade cara, mas não tanto quanto eu imaginei. Se você se programar bem dá para viajar com um budget razoável. O mais caro (além da estadia) foi o passe de 5 dias para os museus (em torno de 100 euros) e o passe semanal de metrô (30 Euros). Claro que perdi meu passe de metrô no segundo dia e tive que gastar mais 30 Euros para comprar outro. Existe uma alternativa mais barata, que só descobri no final. Se você fizer uma carteirinha que custa 5 Euros, se não me engano, o passe semanal sai por 19 Euros. Por duas semanas você acaba gastando menos de 50 Euros ao invés de 60. Se não perder o passe sai mais barato ainda.

O tempo estava friozinho, ventando muito e chovendo algumas vezes, então acabamos passando bastante tempo dentro dos museus. Mesmo assim, conseguimos conhecer um pouco da cidade, que é absolutamente linda. Paris em si mesma é um monumento a parte.

Pegamos um vôo da Vueling de Paris para Barcelona, pois além de ser 11 horas mais rápido que o trem, ainda saiu mais barato. Em Barcelona me senti em casa. Não sei se foi pelo fato de eu me sentir confortável com o idioma, ou se pela cultura, ou se porque Capachinho tem parentes lá que foram nos buscar no aeroporto e nos receberam de braços abertos. Assim como em Paris, a comida é espetacular, ma sincrivelmente mais barata. Fuja de restautrantes turísticos e procure pelo “menu del dia”. Comemos até estourar (e bebemos vinho) com nada mais que 7 ou 8 Euros. Se o menu del dia custava mais que isso, procurávamos outro restaurante. O menu del dia é basicamente uma refeição completa que inclui: entrada (salada ou sopa), prato principal (massa, carne, etc), sobremesa, e uma bebida, que pode ser café, vinho ou água. Tanto em Paris quanto em Barcelona, toma-se café espresso, então não precisa se decepcionar com aquela água suja de batata que o povo aqui na America do Norte tanto aprecia.

Como a cidade é relativamente pequena, andamos muito em Barcelona. Compramos um passe de 10 viagens de metrô, mas não chegamos a utilizar todas as viagens, já que nosso hotel estava bem localizado, perto da Plaza Catalunya. Em Paris, alugamos um apartamento, o que nos economizou bastante dinheiro.

Barcelona é linda e medieval, exatamente como eu queria. As ruelas estreitas dão um charme muito especial a cidade e fazem dela um cenário maravilhoso. Essas ruelas tem tantas ramificações que ficou impossível conhecer todas. Tivemos muitas surpresas agradáveis pelo caminho: estávamos andando por um caminho estreito que, de repende, se abria em uma praça gigante, ou uma igreja medieval, ou em outra ruela mais linda ainda.
Gostaríamos de ter ido a Girona (mais medieval ainda) e Teruel, mas mal tivemos tempo de conhecer o que planejamos. A melhor coisa que fiz foi comprar um guia com 60 percursos a pé pela cidade. O melhor de tudo é que os percursos eram curtos e com explicações e curiosidades. Fora isso, conhecemos a maioria dos prédios do arquiteto Gaudi. Este era um sonho muito antigo que eu tinha e não tenho palavras para expressar a beleza de tudo. Só vendo mesmo para saber. No último dia de viagem, antes de pegarmos o vôo de Barcelona para Paris, e de lá para Toronto, coloquei meus recibos de compras no correio para receber reembolso dos impostos. Isso é válido para recibos acima de 100 Euros. Retornamos de viagem no dia 27 de maio, e hoje acabei de receber os últimos reembolsos que faltavam. Essas foram as férias da minha vida, que me deixaram com gostinho de quero-mais.

Tuesday, June 26, 2012

Canadense é educadim que só

Acredito que uma das primeiras coisas que as crianças aprendem a dizer por aqui é “I’m sorry” e “please”. Um seriado Americano de TV, How I Met Yor Mother, tem como protagonista uma canadense, Robin, que é vítima de muitas piadas sobre canadenses. Em um dos episódios, ela vai com Marshal (outro protagonista) a um bar em Nova York com tema de Minessota, onde todos tiram barato de canadenses porque eles tem medo de escuro (não sei de onde tiraram isso). Depois de muitas coisas acontecerem, Robin esta homesick, então Marshal resolve levá-la a um bar com tema canadense. Para ter certeza de que aquele realmente era um ambiente canadense, Robin dá um empurrão em um cara que está de costas para ela. O cara se vira, e ao ve-la diz “I’m so sorry. Are you OK? Please, take these donuts”. Marshal, que é Americano, não se conforma, e diz “ Peraí, voce entra no bar, empurra o cara de propósito, ele te pede desculpas e ainda te da um donut?” Robin, mas do que feliz, diz que no Canadá é assim e que ela estava feliz por se sentir em casa. Devo admitir que no início achei estranho isso, mas cada vez que saio do Canadá sinto uma falta danada desse “exagero” de educação.

Monday, June 18, 2012

Onde doar coisas usadas

Há alguns meses houve o escândalo das clothing donation green bins. Grande parte das caixas para drop off de roupas e artigos usados distribuídas por Ontário eram, na verdade, pontos de coleta de mercadorias (roupa em sua maioria) que seriam revendidas na África ao invés de irem para instituições de caridade. Mas como não cair nesse golpe?

Existem várias instituições sérias que precisam de ajuda e recebem desde roupas e aparelhos domésticos, até materiais para pintura e artesanato. O site Toronto Street Fashion cita algumas dessas instituições:

Red Door Shelter: Necessita de lençóis, itens para a casa e roupas - 21 Carlaw Ave, Toronto.

Dress Your Best: Roupas, sapatos, e acessórios. Conheço o trabalho deles. Esta instituição ajuda imigrantes que fazem cursos gratuitos do governo parta recolocação profissional. Ao terminar o curso, você marca um horário com um voluntário que vai orientá-lo a como se vestir para uma entrevista de emprego. Durante a orientação, você vai pegando as roupas sugeridas e pode levar tudo para casa no final, sem custo algum. As doações podem ser feitas às quartas-feiras, entre 10 da manhã e 8 da noite no Walmer Centre, 188 Lowther Ave, 3rd floor, Toronto.

Good Shepherd Centre: Ajuda pessoas de rua. 412 Queen St. East (perto da Queen East x Parliament Streets).

YMCA Womens Shelter: mulheres. Ligue para (416) 693-7978, ext 231.

Sketch: Trabalha com arte para moradores de rua. Aceoita doações de art supplies.  580 King St. West, 2nd floor, Toronto.

Para doar brinquedos, revistas, livros, etc, visite http://www.toronto.ca/reuseit/orgs.htm.

Wednesday, May 9, 2012

Boa noticia para quem quer imigrar

Recentemente, tenho lido vários artigos sobre o problema de falta de mão-de-obra que o Canadá enfrentará a partir de 2021 se até lá não conseguir trazer 1 milhão a mais de imigrantes do que está previsto. Segundo um dos artigos, em 20 anos, grande parte da população começará a se aposentar e não teremos pessoas suficientes para substituí-las, a não ser que as famílias atuais passem a ter muitos filhos. Difícil de acreditar quando se tem uma taxa de aproximadamente 8% de desemprego no país. Atualmente, muitos imigrantes da área de saúde lutam para ter suas credencias reconhecidas, mas muitos acabam dirigindo um táxi ou trabalhando no Tim Hortons, pois o custo total do processo é excessivamente alto e moroso e alguém precisa colocar comida na mesa. Acredito que se realmente o Canadá precisar desesperadamente de profisisonais qualificados grande parte dos obstáculos impostos serão derrubados para facilitar a entrada da mão-de-obra necessária, assim como ocorria há uns quinze anos. Mesmo não falando Inglês direito, muitos imigrantes eram contratados depois da primeira entrevista de emprego em solo canadense. A demanda de profissionais era tamanha que empresários se arriscavam a contratar newcomers sem lhes impôr muitas restrições. Com 8% de desemprego os empresários escolhem a dedo quem eles querem no time deles. O grande desafio para preencher essas vagas em 2021 não estará nos grandes centros urbanos, mas em regiões mais afastadas e conservadoras onde forasteiros nem sempre são recebidos de braços abertos. A integração do imigrante nessas sociedades é mais lenta e dolorosa, mas não impossível. O governo precisará trabalhar bastante para mudar a cultura nesses lugares e fazer com que as pessoas abram suas cabeças e vejam os imigrantes como algo que vem acrescentar, e não tirar.

Saturday, April 7, 2012

Casamento arranjado?

Com alguma sorte este blog chegará a ter doze posts este ano, um para cada mês. Depois de quase 5 anos neste país, parece que acaba o assunto porque muitas das novidades ou das "primeiras vezes" já aconteceram, então nada parece interessante o suficiente para virar um post.

Hoje vou falar de uma experiência que eu nunca poderia ter tido no Brasil, e que é uma das coisas mais legais de um país muticultural.

Fiz amizade com duas irmãs persas no meu primeiro emprego aqui, em 2008. Nos vemos raramente, mas quando nos encontramos eu sempre aprendo coisas novas e chocantes. No caso dessas irmãs, o fato delas serem muçulmanas torna tudo mais interessante. Os pais delas fugiram do Irã com as 3 filhas quando elas tinham menos de 7 anos de idade. Mesmo vivendo no mundo ocidental, a mãe delas fez questão absoluta de criá-las dentro do islamismo. Elas não usam véu porque não gostam (aliás, quem gosta?), e só usavam no Irã porque eram obrigadas. A filha mais velha está com 40 anos e se casou há uns 4 anos com um rapaz que ela trouxe do Irã. Sim, casamento arranjado a pedido dela.

Antes do casamento, ela e as outras 2 irmãs viviam na casa dos pais sob as ordens deles. Não podiam receber amigos homens em casa e nem sair com eles, mesmo em grupo. Maquiagem, só depois do casamento (não precisa nem mencionar sexo, né?). E hoje eu descobri que a mulher não pode mexer na sobrancelha enquanto não se casar. Não é inacreditável? Tudo isso é para a mulher não se tornar sensual e atrair a atenção de outros homens; ela deve se resguardar e ser sensual apenas para o marido dela.

Olhando essas meninas, elas parecem absolutamente "normais" como qualquer menina ocidental, mas nem tudo é o que parece. Essa minha amiga não tem nenhum amigo do sexo masculino, pois não é certo uma mulher casada ficar conversando com outros homens. Nós achamos isso o maior absurdo do mundo, mas para ela é a coisa mais natural. O mais engraçado é ela achar que eu também sou assim; aí quando digo que eu tenho amigos homens, ela pergunta "Mas o Capachinho não acha ruim?" E eu digo que não e que ele tem amigas também. O espanto dela é ainda maior.

Apesar das diferenças, nos damos muito bem e sempre nos divertimos muito quando estamos juntas. O segredo é uma respeitar a cultura da outra. No começo eu achava estranho e ficava indignada com o fato das 3 meninas terem mais de 30 anos, trabalharem e não poderem morar sozinhas ou simplesmente colocar maquiagem para ir a uma festa. Aliás, antes de casar não tem nada de festa até tarde. Eu dizia coisas do tipo "Mas você tem seu trabalho, é independente, seus pais não têm direito de proibir esse tipo de coisa. Se fosse comigo blá, blá,blá". E elas sempre me diziam que as coisas não eram bem assim, que na religião delas elas tinham que obedecer os pais e seguir as regras da comunidade, senão elas não poderiam mais ter contato com os persas e nem com a família. Uau! Nunca mais falei nada.

E aí vem a questão do casamento arranjado, que o pai dela, por incrível que pareça, sempre foi contra. Quando a conheci, ela tinha acabado de se casar na Síria e o marido dela nem tinha feito o landing ainda; estava aqui com visto de turista. Lembro-me que as brigas eram constantes e a impressão que eu tinha é de que ele era um monstro machista sem respeito nenhum por ela. A família dela também não gostava dele e o fato de todos morarem na casa dos pais dela só agravava a situação. A família só falava em divórcio, mas ela não queria dar o braço a torcer e admitir perante a comunidade que o cara que ela foi buscar lá no Irã para se casar não era um par ideal.
Eu tinha muita pena dela, mas depois que eles compraram uma casa e saíram da casa dos pais dela, a coisa mudou.
Fui jantar com Capachinho na casa dela uma vez, e como todo bom persa, a família inteira estava lá: pai, mãe e irmãs.
Eu fui achando que ia encontrar no marido dela um tipo desprezível, mas o que encontrei foi uma pessoa sensível que estava fazendo das tripas coração para se adaptar a um novo país cuja língua ele não falava e se esforçando ao máximo para fazer minha amiga feliz.
Sim, cada um tem seu papel bem definido dentro do casamento, mas vi muito respeito e vontade de vencer. Hoje eles já se mudaram para uma casa maior, ele deixou de ser carpinteiro e arranjou um emprego como contador, que é a profissão que ele tinha antes de imigrar.

Casamentos arranjados ainda são coisa muito comum dentro de algumas culturas aqui no Canadá. Uma vez ouvi a história de um indiano jovem que defendia o casamento arranjado. Ele disse que o casamento não tem nada a ver com os noivos, mas com a família, portanto, duas pessoas só se casam se as famílias se derem bem. O que um sente pelo outro é irrelevante, porque segundo ele, o amor vem depois, e se não vier você aprende a conviver com a pessoa assim mesmo.
Ele é contra casamento por amor porque diz que não dá certo. Quando a paixão acaba não sobra nada, e aí vem o divórcio. Com casamento arranjado não; você já sabe o que esperar desde o começo e vai trabalhar para que o casamento dê certo. O casamento é um negócio, um contrato e todos vão trabalhar para um bem comum.
Esse indiano também disse que não é ele quem escolhe a pessoa com quem quer se casar, é a família dele. Ah, e é claro que a primeira e mais importante condição é de que a moça seja da mesma religião que ele, senão as famílias brigam e o casamento não dá certo. Eu perguntei "Mas e se você se apaixonar por uma moça branca ou de outra religião?" Ele fez uma cara como se eu estivesse falando a coisa mais absurda do mundo, pois é claro que isso nunca iria acontecer porque ele simplesmente não se interessa por moças que não sejam da cultura e da religião dele. E isso me lembra um outro caso de uma ex-colega de trabalho do Paquistão, também muçulmana. Um colega canadense vivia brincando com ela e perguntando para ela qual seria a reação dos pais dela caso ela aparecesse em casa com um canadense ou qualquer outro rapaz que não fosse da cultura e da religião dela. Ela insistia que isso não era possível, mas meu colega achava que não era possível por proibição dos pais delas, mas não. Não era possível porque ela jamais pensou ou pensará em se relacionar com alguém que não seja paquistanês e que não seja muçulmano. Essa menina é nascida no Canadá, mas ela se veste com roupas indianas e vive o mais próximo possível do que seria uma vida no Pasquitão.

É essa diversidade cultural que nos permite esse tipo de experiência imposssível no Brasil, pois lá os imigrantes têm que se adequar aos hábitos brasileiros, mesmo porque lá eles não encontram tudo que precisariam para poder levar uma vida parecida com a que tinham no país de origem.
Aqui existem shoppings onde só se fala chinês; mercados que vendem única e exclusivamente produtos chineses; restaurantes onde o menu é todo em chinês. Se você for sozinho a um restaurante desses tá ferrado, pois não vai conseguir pedir nem um copo com água.

O fato do Canadá respeitar outras culturas nos permite conhecer um pouquinho de cada país do mundo sem sair da cidade. Alguns acham que liberdade cultural e religiosa podem trazer problemas (em alguns casos traz sim) mas acredito que a riqueza que essa mistura nos proporciona é fascinante e não tem preço.

Tuesday, March 6, 2012

A dura arte de retornar à terrinha


Sempre acompanhamos as histórias de quem deixou o Brasil e foi tentar sua vida em outro país, mas raramente vemos registrada em blog, a volta dos que foram.
Segundo esta reportagem, 20% dos brasileiros vivendo nos Estados Unidos e 25% dos brasileiros vivendo no Japão já retornaram ao Brasil de mala e cuia por causa da recessão naqueles paises e do bom desempenho da economia brasileira. No entanto, estas pessoas têm enfrentando dificuldades enormes para se readaptar ao Brasil e a se recolocar no mercado de trabalho. A dificuldade é tamanha que o Itamaraty lançou um "Guia de Retorno ao Brasil", distribuído nas embaixadas.

A mesma reportagem cita relatórios que demonstram que a adaptação do brasileiro no exterior demora em média 6 meses. Acredito que seja pelo fato de sairmos com a mente aberta e prontos a encarar as dificuldades. Porém, o contrário não é verdade. Ao retornar ao Brasil, o brasileiro demora at' 2 anos para se readaptar. Enquanto esta no exterior, ele vive uma utopia e vê seu país de uma forma ilusória. Ao pisar no Brasil, não somente  ele, mas amigos e famílias também mudaram bastante durante o tempo em que ele esteve fora e este choque tem bastante impacto em sua adaptação.

Eu vivi isso na pele quando, em 1989, após viver quatro anos na Bolívia, eu retornei ao Brasil. Apesar de adolescente (retornei ao 14 anos), foi muito difícil me adaptar à forma como as pessoas viviam. Eu não sabia como me comportar diante das coisas mais simples, como cumprimentar uma pessoa, por exemplo. Um beijo no rosto, 2, 3, um aperto de mãos?

Imagine que depois de dez anos vivendo no Canadá, por exemplo, você resolva voltar ao Brasil e tenha que começar do zero outra vez: abrir conta em banco, arranjar um lugar para morar (sem ter um emprego ainda), renovar ou tirar carteira de habilitação, matricular os filhos na escola e arranjar uma faxineira de confiança. Hahaha Desculpem-me, mas eu não podia perder a oportunidade. 100% dos brasileiros que conheço que voltaram ao Brasil se queixam de como está caro conseguir uma faxineira quando eles nunca sequer cogitaram essa possiblidade enquanto estavam no Canadá.

Enfim, a volta pode ser mais dura do que se pensa e a readaptação é com certeza um processo longo e penoso.
Será que depois de passar por tantas dificuldades para se adaptar em outro país vale a pena passar por dificuldades ainda maiores ao retornar ao Brasil (some-se a isso corrupção, violência, trânsito infernal e o famoso "jeitinho brasileiro")?

Sunday, February 19, 2012

Salários no Canadá

O Workópolis publicou uma matéria interessante sobre quanto o canadense está ganhando. A pesquisa traz a média salarial de várias áreas profissional, desde dentistas, a artistas e políticos. É uma boa para quem ainda está no Brasil e não tem idéia de quanto poderia ganhar aqui.

Um fato interessante é que, em geral, os canadenses ganharam mais em 2011 do que em 2011 em todas as províncias do Canadá, exceto em Ontario.


Curious about how much money people are making? Well, Statistics Canada's most recent report on wages in Canada had some good news, indicating that overall Canadians were making about 2.2% more at the end of 2011 than we were in 2010. So how much are Canadians earning?  The average salary in this country is roughly $883 a week or $46,000 a year.
While average weekly earnings rose in every province from November 2010 to November 2011, the largest growth was seen in Newfoundland and Labrador, Saskatchewan, Alberta and New Brunswick. The lowest rate of salary increase was in the province of Ontario.
Average Canadian wages by industry sector
In administration and support services, the average weekly earnings are $734.24 or $38,180 a year. Workers in the retail trade earn roughly $521.41 a week or $27,113 a year.
In the professional, scientific and technical services, workers make $1,229.64 a week or $63,941 a year. (This category includes a broad range of professions, such as management, scientific and technical consulting; accounting, tax preparation, bookkeeping payroll services; and architectural, engineering and related services.)
The average weekly salary in manufacturing is $999.75, or $51,987 a year. Workers in utilities make $1,705.73 a week or $88,697 a year, while natural resource workers such as those in mining, quarrying, and oil and gas extraction earn $1,788.92 a week or $93,023 a year.
A sample of other average Canadian salaries by industry:
  • Health care and social assistance:  $1,016 a week or $53,832 per year.
  • Construction: $1,121a week or an annual salary of $58,282.
  • Public administration: $966 a week or an annual salary of $50,211.
  • Finance and insurance: $861 a week or an annual salary of $44,762.
  • Real estate and rental and leasing:  $768 a week or an annual salary of $39,915.
  • Arts, entertainment and recreation:  $641 a week or $33,342.
  • Accommodation and food services: $518 a week or an annual salary of $26,915.

So who's making well above the average wage? Well, Specialist Physicians top the list of well compensated professionals at a whopping $350,000 a year. Judges are also high earners, bringing in an average of $260,000 annually.
Other high-earning positions:
  • Senior managers of financial, communications, and other businesses - $210,500/year.
  • Senior managers of goods production, utilities, transportation, and construction - $195,000/year.
  • General practitioners and family physicians - $180,000/year.
  • Dentists - $170,000/year
  • Lawyers - $160,000/year

Looking the qualifications needed to land one of the highest paying gigs, the lesson seems to be: if you want to earn the big bucks, stay in school.
And how about our national leaders? The Prime Minister, Stephen Harper makes $315,000 a year. Members of Parliament make $157,000 a year and the Governor General earns $130,000 annually.
For salary information on specific jobs in your region, try using our interactive Salary Calculator tool.  
Source: Statistics Canada Payroll employment, earnings and hours

Tuesday, January 17, 2012

Por que é tão difícil ter vontade de voltar a viver no Brasil?

Adorei o post da Glenda, do Coisa Parecida. Não conhecia o blog dela até então.
Este post consegue enumerar muitas das razões pelas quais Capachinho e Piaçava não têm vontade de voltar a morar no Brasil.
Talvez seja difícil para o pessoal que ainda mora lá entender esses motivos, pois a gente só consegue ter uma visão panorâmica da situação se se afastar dela.
Aqui vai o post na íntegra.

Depois de duas semanas lendo sobre o porquê dos meus companheiros do Brasil com Z  não quererem mais voltar a viver no Brasil, decidi escrever meu texto. Em 2009 já havíamos feito uma ronda sobre “voltar ou não voltar” entre os colaboradores deste blog coletivo de expatriad@s que vivem nos mais diversos cantos do mundo… os tempos eram outros, o pessoal também, mas quem quiser conferir pode clicar aqui. Inclusive eu dei minha opinião sobre a volta e decidir escrever de novo não porque tenha mudado de ideia, mas sim porque ampliei um pouco meu pensamento.

Não vou enumerar aqui a quantidade de problemas, principalmente sociais, ambientais e econômicos que existem no Brasil, uma porque depois dessa série de posts não vale a pena repetir, outra, porque todo mundo está careca de saber que no nosso país falta segurança, falta educação e saúde pública, falta tolerância, falta tanta coisa e sobra outras mais, como desigualdades, exclusões, injustiças.

Não sei quando volto ao Brasil pelo simples fato de que não sei se quero voltar ao Brasil. Gosto muito da vida que levo na Espanha. A principal lição de vida que aprendi nestes 6 anos de Sevilha é que não é pobre o que menos tem, mas o que menos necessita. Aqui aprendi que não preciso de luxos para viver feliz, que com pouco dinheiro no bolso posso me divertir, ter uma vida cultural relativamente agitada e ainda viajar de vez em quando. Aprendi que a felicidade não se encontra em shopping e que autoestima não está diretamente relacionada com chapinha e unhas bem feitas. E não que no Brasil eu tivesse um padrão de vida alto ou fosse uma patricinha de carteirinha, mas depois de viver 6 anos em uma casa com móveis alugados, nossa percepção de vida muda muito.

Futilidades à parte, aqui aprendi que se trabalha para viver e não se vive para trabalhar. Isso significa realmente aproveitar a vida. A grande maioria do pessoal aqui do sul trabalha o justo e necessário para poder garantir um lazer a nível máximo, um happy hour no final do dia, uma escapada no final de semana e umas férias de verão de um mês. Horas extras, 60 horas de trabalho semanais, um final de semana em casa atolado de prazos esgotados? Não que isso não aconteça, mas é coisa rara. Conheço funcionários públicos que pedem redução de salário para poder ficar uma hora a mais com os filhos em casa.

Aprendi a deixar o carro na garagem (leia-se estacionado na rua) e usar o transporte público. Voltei a aprender a andar de bicicleta. De onde eu moro eu chego a qualquer parte da cidade em menos de 40 minutos de pedalada (e Sevilla não é uma cidade pequena, tem quase 800 mil habitantes fora a zona metropolitana). Não tem preço poder ir e vir respirando ar fresco (ok, nem sempre, afinal, estamos numa zona urbana) e de quebra fazer exercícios.
Aprendi a ser tolerante, a respeitar mais as diferenças, a descobrir a diversidade de raças, culturas, estilos de vida e pensamento muito diferentes dos nossos, brasileiros, muitas vezes machistas, egoístas e hipócritas (como também já foi citado nos posts dos meus colegas de Brasil com Z). Aprendi que viver no mesmo edifício que o motorista do caminhão de lixo e comer no mesmo restaurante da faxineira da piscina é uma coisa absolutamente normal. Aprendi a respeitar famílias com dois pais, duas mães e até duas mães e um pai, a não falar mal de uma mulher escabelada na padaria, a não ficar horrorizada com um «modelito» fora do «normal». Aprendi que o normal pode ser qualquer coisa, que cada pessoa é um mundo e que cada um de nós cuida do seu próprio mundo pessoal, sem precisar de aparências ou máscaras. E ao mesmo tempo aprendi que todos devemos cuidar do nosso mundo coletivo, que a força do ser em conjunto é muito importante e que, melhor de tudo, dá resultados.

Aprendi que as diferenças nem sempre geram integração, que podem causar desigualdades por estes lados também. Que imigrante é uma classe de pessoa que tem que correr atrás do prejuízo, que tem que lutar muito para conseguir se estabelecer e que, por questões que fogem as suas capacidades, nem sempre consegue o seu lugar ao sol. Aprendi que o ser humano, não importa a sua nacionalidade, está longe de ser perfeito, e apesar de tanta tolerância e igualdade por um lado, pode ser bastante preconceituoso e injusto por outro.

Então, quem em sã consciência depois de aprender tantas coisas e, acima de tudo, depois de viver tudo isso no seu cotidiano sente vontade de voltar a morar no Brasil? Quem, depois de aprender a cruzar uma rua pela faixa de segurança sem nem precisar olhar para os lados ou se acostumar a voltar para casa a pé às 3 da manhã, desfrutando do cheiro das flores de laranjeira e do silêncio da madrugada sem precisar olhar para trás, pensa um dia em regressar à sua pátria amada? Quem depois de dar risada (ou se irritar, no meu caso) com as crianças de uniforme do colégio jogando bola em plena praça central, de se habituar a pegar a sua bicicleta e fazer um piquenique no parque público ou de ver uma roda de velhinhos e velhinhas tomando cerveja (sem álcool) felizes e cheirosos no mesmo bar que a garotada de 20 anos pode cogitar a hipótese de não viver mais essas coisas, aparentemente tão banais, mas que no Brasil há muito tempo não existe?

Claro, nem tudo são rosas… Não sou casada com espanhol, não tenho meu diploma de arquiteta homologado para assinar projetos na Espanha (se bem que na atual situação econômica, «projetos» é coisa rara por aqui), vivo com um visto de estudante que não me dá direito à nacionalidade, não tenho direito à saúde pública (apenas atendimento de emergência) e pelo menos nos próximos anos não vejo nenhum futuro profissional na minha área (nem eu, nem 20% da população ativa do país, nem a maioria absoluta dos jovens recém-formados). Não tenho filhos espanhóis e em teoria, nada me prende aqui. Mais cedo ou mais tarde (cada vez mais é mais cedo, já que estou no segundo ano do doutorado) vou ter que tomar a fatídica decisão: volto ou não volto ao Brasil? Qualidade de vida ou um bom trabalho (ou um trabalho qualquer)?
Meu consolo é que este mundo é enorme, como já dizia o poeta, «grande demais para nascer e morrer no mesmo lugar». Confesso que não sei se tenho o mesmo ânimo para recomeçar tudo de novo em um país novo, mas quem disse que se eu voltasse ao Brasil eu não teria que recomeçar do zero? E entre recomeçar com qualidade de vida e recomeçar rodeada de violência, desigualdades e injustiças, só fico na dúvida porque neste último caso também estaria rodeada de muito amor, amigos e família (únicos motivos reais que me fazem pensar em voltar a viver no Brasil).

Enfim, todo mundo deveria ter a oportunidade de sair da sua bolha, ver o mundo com outros olhos, aprender novos valores e, quem sabe, voltar e conseguir lutar por um lugar melhor. O Brasil é um país com duas caras, lindo e horrível ao mesmo tempo. Sei que sou uma privilegiada por estar onde estou e que muita gente se tivesse condições já estava com as malas prontas e a passagem comprada para se mandar… e a gente aqui falando em voltar. Adoraria poder voltar e tentar fazer do meu Brasil um lugar melhor para se viver, mas ao mesmo tempo me sinto muito ingênua em pensar que isso poderia ser possível.
Queria viver entre os «meus», mas a cada dia que passa me sinto menos parte dos que ficaram. Já não penso em altos salários, altos cargos, muito dinheiro para ser feliz. Embora muita gente siga pensando ao contrário, dinheiro não é e nem nunca foi garantia de felicidade. Felicidade para mim é isso, poder levar a vida sem pausa, mas sem pressa, sem paradeiro se eu assim quiser. Posso não estar com os bolsos cheios, mas percebi que não necessito nada disso para ter uma vida confortável, alegre e divertida.

Tive que cruzar o oceano para perceber isso? Pode ser que sim, e continuo aproveitando esta grande oportunidade de fazer parte de outro mundo, que apesar de todos os seus problemas, consegue ser mais justo e respeitoso que o mundo onde nasci.

Monday, December 12, 2011

O Natal Comemorado Pelo Mundo

Aqui em casa não comemoramos Natal, não montamos árvore e nem fazemos ceia (além da preguiça, eu não sei e não gosto de cozinhar), mas acho interessante saber como outros países comemoram essa data. As informações foram copiadas na íntegra deste site.

BRASIL: Comemorado a partir do século XVII, o Natal brasileiro era uma mistura de tradições nativas com portuguesas e era representado por uma espécie de “barraca de natal” montada à frente da capela do engenho. Nela havia um presépio com de figuras de barro armado pelos senhores e escravos e doces e salgados feitos pelas cozinheiras escravas.

CHINA: Mesmo com uma população de 1,2 milhão de cristãos, dentro de um universo que ultrapassa 1.3 bilhão de chineses, o Natal começa a despontar, incorporando-se aos costumes da China contemporânea. Já podem ser vistos papais noéis nas grandes lojas de departamentos das principais cidades do País, ocorrendo, inclusive, a venda de cartões natalinos e de presentes.

JAPÃO: Lá os costumes ocidentais vivenciados na época natalina, que têm relação direta com às tradições religiosas, não possuem grande importância.

PORTUGAL: Os portugueses festejam a véspera natalina com uma ceia de  bacalhau, acompanhamentos e vinho branco chamada de consoada. Aí, participam da missa à meia noite e no dia de Natal, comem cordeiro ao forno.

ISRAEL: A peregrinação a Belém e a Igreja da Natividade (onde acreditam ser o local exato onde Jesus nasceu e onde é celebrada missa na noite de Natal) é o ponto alto dos cristãos que vivem neste país.

POLÔNIA: Mais poéticos, os poloneses comemoram o Natal quando a primeira estrela surge no horizonte na noite do dia 25 de dezembro, quando então é servida a refeição. Como não comem carne nesta noite, sua cheia é repleta de paplotélis ou oblátik, uma espécie de hóstia ou pão ázimo.

ALEMANHA: Na Alemanha, é costume, quatro domingos antes do dia 15, montar a Coroa do Advento, guirlanda de galhos verdes com quatro velas. Então, a cada domingo, uma vela é acesa pela família, nas residências. Os enfeites variam de região, podendo ser estrelas de palha ou bonequinhos de madeira.

MÉXICO: No México, realizam-se procissões todas as noites, desde o dia 16 de dezembro. Brinca-se também com la piñata - recipiente que recebe decoração de pássaro, avião ou boneca, contendo doces e balas e que fica pendurado em um galho de árvore.

FRANÇA: Nesse país não pode faltar o patê de foiegras, o peru e o “bûche de Noel” (um rocambole recheado de chocolate em forma de um tronco de árvore). Já nos vilarejos do interior do país, a cozinha saborosa do campo e o teatro medieval são partes marcantes.

HOLANDA: Os holandeses comemoram o Natal no dia 6 de dezembro, Dia de São Nicolau (santo que teria inspirado o Papai Noel).

ESPANHA: Em Madri, montam-se presépios humanos com pessoas substituindo as tradicionais figuras. Já nas cidades interioranas, as crianças saem às ruas cantando e tocando para pedir doces nas casas. Porém, a troca de presentes só ocorre no dia 6 de janeiro.

PAÍSES MUÇULMANOS: Os muçulmanos não comemoram o Natal, já que consideram Jesus Cristo apenas como um profeta comum.

Observação minha: falei esta semana com uma amiga muçulmana, que veio para o Canadá aos 18 anos. Ela disse que a família inteira comemora o Natal para reunir a família. Esta tradição começou com a vizinha armênia que eles tinham lá no Iran. Segundo minha amiga, ela via toda aquela festa na época de dezembro e a mãe não conseguia convencê-la de que aquilo não pertencia ao mundo muçulmano deles. Um dia, a vizinha armênia os convidou para uma ceia de Natal, e desde então toda a família da minha amiga comemora a data.


Friday, December 9, 2011

A Gorda e a Magra

Não é de hoje que a mulher brasileira é conhecida por sua beleza. Também não é novidade sua obsessão em busca de uma beleza perfeita mostrada em filmes e revistas. Com a vulgarização do Photoshop, esta beleza "perfeita" tornou-se ainda mais inatingível, levando muitas adolescentes para a mesa de cirurgia plástica em casos bem-sucedidos, e sabe-se lá para onde em caso contrário. A obsessão é tamanha que, segundo um estudo que li há algum tempo, cerca de 130 mil crianças (sim, você leu crianças) e adolescentes se submeteram a algum tipo de cirurgia plástica em 2009.

No entanto, os hábitos alimentares destas mesmas crianças e adolescentes não contribuem para a manutenção de uma silhueta magra. Os fast foods e as comidas industrializadas, cheias de conservantes e outros produtos químicos, têm criado uma sociedade obesa. Junte-se a isso a quase total ausência de atividade física. Não é de surpreender que cirurgiões plásticos andem tão ocupados.

Sendo mulher e não fazendo parte do grupo que veste 36/38 (a vida inteira fiquei entre 40/42, chegando a 46/48 em uma época em que fiquei doente), sempre senti esta cobrança de ser magra; cobrança esta que não vem somente dos outros, mas de mim também, afinal, foi assim que fui criada. Com apenas alguns dias no Canadá percebi que aqui é um pouco diferente. A começar pelas repórteres na TV e as moças (já nem tão moças assim) que anunciam a previsão do tempo. No primeiro caso, é comum ver repórteres bem acima do peso aparecendo no horário nobre na TV. Quanto às moças da previsão do tempo, muitas já estão na casa dos 40 anos. Quando é que você vê este tipo de coisa na TV brasileira, principalmente na Globo? Jamais! Todo mundo é magro, jovem, e bonito na TV. Se não for magro, em pouco tempo as emissoras dão um jeito de cortar as gordurinhas extras. Quem aí se lembra da Angelica, na Manchete, e da Ana Maria Braga, na Record? Ambas devem ter perdido mais de 30 quilos juntas ao irem para a Globo.

Nas ruas de Toronto é comum encontrar pessoas obesas de todas as idades. Algumas com mais idade (mais de 40 anos, eu diria), chegam a andar em um tipo de scooter porque não conseguem mais sustentar o peso do próprio corpo. Não é difícil encontrar estas mesmas pessoas fazendo refeições diárias em redes de fast-food, regadas a refrigerante de tamanho extra grande. Sempre ouço dizer que nos Estados Unidos a situação é ainda pior. O que acontece com estas pessoas? Onde está o culto ao corpo? Será que ele é preocupação exclusiva das brasileiras?

Na verdade, não. Percebi que na América do Norte, em geral, as pessoas são mais relaxadas com a aparência e que o conceito de " magro"  para eles é diferente do conceito brasileiro. Aqui, por exemplo, ninguém diz que estou gorda ou acima do peso, mas quando vou ao Brasil, minha própria família diz que seria bom eu perder alguns quilos. Para ficar magra do jeito que eles acham que deve ser, eu deveria perder uns 10 quilos, e desta maneira entrar em uma calça 38. Se eu decidisse trabalhar na TV, provavelmente teria que perder mais uns 10 quilos.

Parece simples falar, mas é muito difícil romper paradigmas. Felizmente, moro em um país com menos cobranças, e quando digo que estou gorda, mais do que prontamente escuto "You look great". É, talvez eu esteja ótima mesmo e essa coisa de gordurinha em excesso é coisa que colocam na sua cabeça (e na sua barriga, pernas, coxas, e onde mais couber).
;)

Sunday, November 20, 2011

Curiosidades sobre o Canadá: Movember

Você sabe o que é Movember? Antes de chegar ao Canadá eu também nunca havia ouvido falar sobre esse movimento, ou melhor, campanha, que tem origem na Austrália e se espalhou pelo mundo, inclusive no Rio de Janeiro.

No mês de novembro homens deixam seus bigodes crescer para demonstrar solidariedade e suporte ao combate do câncer de próstata, que é o tipo de câncer mais comuns em homens.

É muito engraçado ver a transformação em jornalistas e outras pessoas  ao longo do mês, que deixam de ter uma cara bem barbeada e passam a exibir bigode e/ou barba.

Alguns viram alvo de apostas em empresas, pois não é todo mundo que tem paciência para esperar até o fim do mês para tirar o bigode. Eles dizem que começa a coçar e incomodar, e acabam desistindo no meio do caminho.

A brincadeira não pára por aí. Além de fazer doações, você também pode enviar sua foto para vários sites e programas de TV para concorrer a prêmios.

Para saber mais sobre o Movember, se envolver, e fazer uma doação, acesse www.ca.movember.com.


Friday, November 18, 2011

Com saudade da faxineira?


Na America do Norte pouquissima gente tem o que chamamos de “ diarista” simplesmente pelo fato de que a mao-de-obra e muito cara. E para falar a verdade, eu nem acho que compensa muito pagar para alguem limpar sua casa aqui.
Primeiro, porque voce paga por hora. As pessoas geralmente contratam um professional por apenas 2 horas, e la se foram nao menos de $50.
Segundo, ao contrario das nossas diaristas brasileiras, praticamente escravas, a “ diarista” daqui nao vai fazer muita coisa nessas 2 horas.  Alguns servicos incluem lavar louca (embora a maioria das casas seja equipada com maquina de lavar louca), mas em geral o trabalho e passar aspirador na casa, tirar a poeira e “ dar um tapa” na organizacao.

Ah, voce quer alguem que lave e passe suas roupas? Tem que pagar extra, tanto para um quanto para outro. Mas voce tambem quer alguem que limpe as janelas da sua casa. Bom, ai a gente ja esta falando de mao-de-obra “especializada”; gente treinada que passa a vida lavando janela. Sim, senhor!  Ja pensou se durante a limpeza da janela no piso superior da sua casa a pessoa se desequilibra e cai? Pois e, esse professional tem que pagar um seguro contra acidentes, por isso a conta da limpeza das suas janelas pode ser bem salgadinha.

E em terceiro lugar, as casas e apartamentos sao projetados para serem limpos a seco e nao a base de agua com se faz no Brasil. As  construcoes sao de madeira, entao nao existe essa de jogar agua no piso da cozinha e do banheiro e depois esfregar com sapolio. Nao, os produtos de limpeza aqui sao poderosos e tem um para cada coisa. Para limpar o chao nos usamos o mop (rodo). Os mais legais vem com um dispositivo onde voce acopla o produto de limpeza, ai e so apertar o spray para liberar o liquido e passar o rodo. Simples assim.

No comeco e estranho. Eu nao conseguia me conformar que nao podia lavar o banheiro; se eu nao jogasse agua eu nao sentia que estava limpo, principalmente quando se tem 2 cachorros em casa. So que essa historia de jogar agua estava danificando os moveis e o piso do banheiro, entao me conformei com o mop. Hoje acho uma maravilha e nao consigo mais me imaginar com o chuveirinho inundando pia, privada e o que mais estiver por ali.

Eu nunca pensei que fosse dizer isso, mas sinto tanta falta de um tanque! Os apartamentos mais antigos costumam ter lavanderia coletiva, assim como o tanque, mas nos predios mais novos, voce tem um minusculo nicho na parede onde a maquina de lavar e a de secar roupa sao empilhadas uma na outra. Nao existe o conceito de “area de servico”  com espaco para um tanque e para pendurar um varal. A gente acaba usando a banheira mesmo, em ultimo caso. Ainda preciso descobrir o que a gente faz com tenis sujo que nao pode ir na maquina de lavar. Aposto como tem um produto especifico para a limpeza de tenis, portanto, se alguem conhecer algum, deixe um comentario aqui no blog.

Tuesday, November 1, 2011

Pobre brasileiro x pobre canadense


Estava cá pensando com meus botões sobre  os pobres brasileiros e como eles se relacionam com as demais classes sociais e vice-versa. Para ilustrar, vou contar um fato que ocorreu comigo no meu primeiro mês aqui no Canadá. Vocês sabem que a gente chega aqui completamente sem noção de nada e, felizmente, sempre aparece alguma alma boa para nos orientar. Pois bem, fomos a um churrasco beneficente do Centro Cultural Brasil-Angola, em agosto de 2007. Chegando lá, não sabíamos exatamente o que fazer ou aonde ir, quando eis que um rapaz muito simpático nos cumprimenta e nos explica o que fazer para pegar comida e bebida. 

Pela aparência e pelo modo de falar, deduzi que aquele rapaz humilde e simpático não tinha muita instrução acadêmica e nem muitas posses materiais. No decorrer da conversa eles nos contou que estava trabalhando na construção aqui em Toronto (e nas entrelinhas nós deduzimos que ele estava aqui ilegalmente). Ele, muito solícito, disse que se quiséssemos, ele poderia arranjar um emprego na construção para Capachinho. Capachinho agradeceu muito educadamente e disse que estava procurando emprego em outra área. O rapaz perguntou então que área essa essa porque para determiados trabalhos é necessário ter "documentação" (ou seja, estar no país legalmente). Capachinho sorriu e respondeu que ele era um web developer e estava procurando um emprego na área de informática.

A expressão no rosto do simpático rapaz mudou repentinamente. Imediatamente, ele pediu licença e saiu para longe,  talvez envergonhado pela proposta que havia feito a pessoas que não era do mesmo "meio" dele. Daquele momento em diante, não conseguimos mais nos aproximar dele porque ele nos evitava veementemente. 

Este acontecimento sempre me faz pensar bastante, e me leva a concluir que talvez o pobre brasileiro conheça "seu lugar" na sociedade. A faxineira, o pedreiro, ou o motorista de ônibus, todos eles respeitam uma barreira invisível existente entre eles e os que tiveram oportunidade de estudar. Eles se colocam (ou são colocados?) em uma posição inferior não só em relação ao seu conhecimento ou a situação financeira, mas também como ser humano. É como se eles não fossem dignos de ter os mesmos direitos que aqueles que têm o que eles nunca tiveram por pura falta de oportunidade. E         quer saber? Às vezes parece que está tudo bem. Mas como assim?

Acredito que essa resignação seja herança dos nossos tempos de 'casa-grande e senzala', em que todos deviam obediência ao senhor (nos só empregados, mas membros familiares também), que tinha, literalmente, a vida de seus escravos nas mãos. Cabia a ele decidir quem iria viver e quem iria morrer. A obediência incondicional, aliada ao trabalho duro e exaustivo sem nunca se queixar, aumentavam as chances de um escravo evitar o tronco e permanecer vivo.

A escravidão foi abolida, mas a mentalidade escravocrata e paternalista não. Os pobres, assim como os antigos escravos, sempre foram vistos como seres inferiors e devedores de obediência e respeito aos seus 'superiores', como no ditado Manda quem sabe, obedece quem tem juízo.

Séculos se passaram e o Brasil mudou muito pouco. A elite, descendente daqueles senhores, carrega consigo a herança cultural dos tempos de colônia, pagando o mínimo possível aos seus empregados, e tratando-os como inferiores. O pobre se acostumou tanto a essa situação, que às vezes temos a impressão de que ele nem percebe esse tratamento.

Aí você vem para o Canadá e conhece um outro conceito de pobreza. Você aprende que não é vergonhoso ter um trabalho braçal. Aliás, o trabalho braçal é, muitas vezes, uma escolha e não uma falta de opção.

Você faz amizades com pessoas que nunca fariam parte do seu círculo social no Brasil. Você conhece um vendedor de loja que fala 3 línguas e viajou o mundo todo; um pintor que mora em uma casa com piscina e jacuzzi e que é 3 vezes maior que seu minúsculo apartamento. Como se não bastasse, esse mesmo pintor diz ter um filho formado em jornalismo, que terminou a faculdade e foi fazer um curso de encanador porque dava mais dinheiro. Sim, seu mundo vira de cabeça para baixo. Quem é quem nessa história?

Passado o espanto, você passa a se sentir bem por viver em uma sociedade menos desigual onde as pessoas têm oportunidades iguais, independentemente de sua cor, religião, ou origem social.
Ao voltar ao Brasil, você fica chateado por ver as pessoas divididas em 'bolhas' , como se fosses castas sociais; mas você fica mais chateado ainda ao ver que esses pobres realmente vivem em um outro mundo diferente do seu e todos acham que isso é assim mesmo e que não há como mudar. 
Entristece ver que que a mentalidade exploratória de nossos colonizadores que chegaram ao Brasil querendo retirar o máximo que aquela terra pudesse fornecer (recursos naturais e humanos) continua até hoje. Os sofridos índios de outrora são os pobres de hoje.

Tuesday, October 18, 2011

Estarão os blogueiros com seus dias contados?


Pois é, quase dois meses se passaram depois do meu último post em 31 de agosto. Falta de tempo não é desculpa desta vez; falta de inspiração e preguiça, talvez.

A escassez de posts não é "privilégio" só do meu blog. Há muito tempo tenho notado que as pessoas estão aos poucos deixando os blogs de lado, e que o tempo vivido no Canadá é inversamente proporcional ao número de posts.

Notei também que a maioria das pessoas cujos blogs acompanho (ou acompanhava) fazem parte dos meus amigos no Facebook, o que me faz questionar se o Facebook é em parte responsável pela morte daqueles blogs.

O primeiro ano pós-imigração costuma ser o mais intenso, já que tudo é novidade e a gente tem que correr atrás de um milhão de coisas, incluindo moradia e emprego.
No segundo ano, as pessoas já estão familizarizadas com muita coisa, já fizeram amizades, já têm seu supermercado, restaurante, ou canal de TV favorito. As novidades diminuem e os posts nos blogs começam a aparecer em intervalos maiores.

O terceiro ano é uma fase de assentamento em alguns aspectos, muitos já compraram sua casa própria, mas por outro lado estão lutando pela manutenção ou obtenção de um emprego melhor. Alguns meses acabam passando em branco até que um post apareça nos blogs.

No quarto ano, que é o meu caso, a rotina já faz mais que parte do dia-a-dia e as pequenas coisas deixam de ser novidade. Conseguir assunto para escrever no blog transforma-se em uma tarefa hercúlea, portanto, sem novidades, sem posts.

A ausência de posts se deve, em parte, justamente ao fato de estarmos acostumados às coisas e acharmos que nada é relevante o suficiente para virar um post. No comeco existe post para tudo: a primeira neve, o primeiro passeio de metrô, o primeiro Thanksgiving, etc.

Outro motivo, e é justamente sobre este que quero discutir, é o Facebook. Hoje passo mais tempo lendo o que amigos postam no Facebook do que lendo blogs. Além do mais, ler um post de 3 ou 4 linhas entre uma tarefa e outra é mais fácil e rápido de se fazer em um smartphone do que ler 50 linhas em um blog. Portanto, culpo sim o Facebook (e outras formas de rede social) pelo desaparecimento de posts em blogs.

Bom, essa é a opinião que tenho baseada na minha experiência. Sei de mais pessoas que passam pelo mesmo que eu e acabam dando mais atenção ao Facebook do que ao próprio blog. Mas e você? Você acha que o Facebook, Orkut, Google +, Linked In, e outras redes sociais estão colocando blogs em perigo? Estarão os blogs com seus dias contados?

Wednesday, August 31, 2011

Dicas para usar no seu resume

A empresa em que trabalho disponibiliza, frequentemente, oportunidades de emprego em sua intranet e eu, como boa samaritana, repasso para alguns grupos de discussão dos quais participo.

Geralmente, após 10 minutos, eu começo a receber respostas de pessoas interessadas na vaga. Alguns perguntam por mais detalhes e outros já me enviam seu resume e/ou cover letter.
Antes de repassar para o RH, eu sempre verifico se os arquivos estão abrindo corretamente e dou uma olhada geral no que recebi. Na maioria das vezes, eu faço correções de espaços duplos, alguma coisinha de gramática e pontuação, e mando bala. Nesses casos, o dono do resume não fica nem sabendo. Porém, existem casos que me deixam realmente preocupada, e é sobre esses que eu quero falar.

A maioria dos resumes que recebo são de brasileiros, mas de vez em quando aparece um amigo do amigo de algum outro país que não o Brasil. Sem citar nenhum caso em particular, noto muitos erros bobinhos nos resumes dos brasileiros. Em um deles havia um erro de digitação logo no Objetivo, que é uma das primeiras coisas que lemos em um resume. Aliás, erros de digitação estão presentes em 100% dos resumes que recebi.

Gente, não confie no corretor gramatical do Word. Imprima seu resume e peça para alguém ler. Antes de enviá-lo, leia- de novo para se certificar de que realmente não existe nenhum erro de digitação ou de gramática. Dependendo da sua área de trabalho (como a minha, por exemplo), um erro de digitação pode ser fatal.
Sempre me lembro da história que me contaram no Skills for Change quando cheguei ao Canadá. Havia uma imigrante, muito bem qualificada, que estava enviando o mesmo currículo há mais de 2 anos sem absolutamente resposta nenhuma. Assim que ela chegou ao Skills for Change descobriu o motivo de tanto silêncio: ela havia cometido um erro de digitação na palavra OBJECTIVE (parece que ela havia escrito algo como "Objetive").
Imagine um empregador lendo o currículo dela. No mínimo ele vai achar que ela não é uma pessoa cuidadosa ou atenciosa. Será que ele vai querer uma pessoa assim para trabalhar na empresa dele?

Outra coisa muito importante é adaptar o resume e a cover letter à vaga para a qual se está aplicando. Muitos de nós temos um modelo geral, mas ele nunca deve ser enviado para todas as vagas sem alguma modificação.
Já recebi cover letter destinada à empresa X mas em que a pessoa mencionava interesse na empresa Y. Já pensou você aplicando para uma vaga na Apple e começando sua cover letter dizendo que você ficou entusiasmado com a vaga aberta pela Microsoft? Pois isso acontece direto; portanto, muito cuidado!

É fundamental que você faça o "match" das suas qualificações com o que é pedido na job description. Não adianta você ficar enaltecendo sua expertise em determinada área se não é aquilo que a empresa está pedindo. Você pode ser um exímio chef especializado em comida francesa, mas se o restaurante precisa de um chef com experiência em cozinha italiana, você estará perdendo tempo aplicando para a vaga.

A maioria das empresas utiliza um software que faz uma busca das palavras-chave da job description e cruza com o que tem no seu resume. Se o resultado não for o que eles esperam, digamos 70% de compatibilidade, seu resume não é selecionado.
Lembre-se que o resume é uma ferramenta para deixar o empregador curioso e interessado em você. Dê a ele exatamente o que ele quer, e ao conseguir uma entrevista, dê a ele o que ele precisa.